Visita ao MASP - Exposição Histórias Afro-Atlânticas

09 setembro 2018

Olá meu povo e minha pova, saudade!!!! 

Hoje trago uma novidade, atrasada, mas não deixa de ser novidade. Neste cantinho amado criei o COLUNAS e nelas vocês encontrarão DESCOBERTAS E AVENTURAS, PONTOS DE VISTA e EXTRAS.

Tenho prazer de compartilhar agora dentro de DESCOBERTAS E AVENTURAS a visita que fiz no final de agosto ao MASP – Museu de Arte de São Paulo e a descoberta foi passear pelo universo da Exposição HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICAS que poderá ser visitada até 26/10/2018. Na ocasião da visita eu estava em companhia da amiga querida Ana Zuki e da sua linda e divertida filha Rafaela, aliás, a Rafa é aquela garota fantástica que se diverte com tudo e topou as minhas loucas descobertas.

Vamos lá, eu amei a ida ao MASP, pois fazia muito tempo que eu não o visitava e a exposição HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICA é de uma riqueza impressionante, tem o belo nas pinturas, nas gravuras e em tantas outras formas de expressão. Aí você pode me questionar com relação a pagar a entrada, não é assim um preço tão acessível se considerarmos a renda da maior parte da população, R$ 35,00 inteira e meia 17,50. Maaaas tem dois dias na semana que a entrada é totalmente gratuita. Sim, você pode entrar sem pagar nada e desvendar o MASP e suas exposições toda terça e quarta feira, pelo menos foi esta a informação que a funcionária do caixa me passou.

Além da exposição tem uma mostra de arte permanente que também é legal visitar.

Abaixo está o texto que consta na abertura da Exposição e algumas fotos que fiz.
Histórias afro-atlânticas apresenta uma seleção de 450 trabalhos de 214 artistas, do século 16 ao 21, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe, e também a Europa, para usar a famosa expressão do etnólogo, fotógrafo e babalaô franco-baiano Pierre Verger.
O Brasil é um território central nas histórias afro-atlânticas, pois recebeu aproximadamente 46% dos cerca de 11 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico, ao longo de mais de 300 anos. Também foi o último país a abolir a escravidão mercantil com a Lei Áurea de 1888, que perversamente não previu um projeto de integração social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais. Por outro lado, o protagonismo brasileiro nessas histórias fez com que aqui se desenvolvesse uma rica e profunda presença das culturas africanas.

Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias. O Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy, é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios e culturas.
É importante levar em conta a noção plural e polifônica de “histórias”; esse  termo que em português (diferentemente do inglês) abrange tanto a ficção como a não ficção, as narrativas pessoais, políticas, econômicas, culturais e mitológicas. Nossas histórias possuem uma qualidade processual, aberta e especulativa, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas tradicionais. Nesse sentido, a exposição não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo, mas antes a incitar novos debates e questionamentos, para que as histórias afro-atlânticas sejam reconsideradas, revistas e reescritas.
A exposição não segue um ordenamento cronológico ou geográfico, sendo dividida em oito núcleos temáticos que tencionam diferentes temporalidades, territórios e suportes, nas duas instituições que coorganizam o projeto. No MASP: MAPAS E MARGENS, COTIDIANOS, RITOS E RITMOS e RETRATOS (no primeiro andar), MODERNISMOS AFRO-ATLÂNTICOS (no primeiro subsolo) e ROTAS E TRANSES: ÁFRICAS, JAMAICA E BAHIA (no segundo subsolo). No Instituto Tomie Ohtake: EMANCIPAÇÕES e RESISTÊNCIAS E ATIVISMOS.
No MASP, a mostra contextualiza-se dentro de um ano de exposições, palestras, cursos, oficinas, publicações e programações de filmes em torno das histórias afro-atlânticas. O programa iniciou-se com as individuais de Maria Auxiliadora, Aleijadinho e Emanoel Araujo e se completará com as de Melvin Edwards, Sonia Gomes, Rubem Valentim, Lucia Laguna e Pedro Figari. Parte fundamental desse projeto é a Antologia que reúne em livro textos de 44 autores, resultado de dois seminários internacionais realizados em 2016 e 2017. Desse modo, o museu se transforma, ele mesmo, em uma plataforma múltipla e diversa, plural e polifônica.
Histórias afro-atlânticas tem curadoria de Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo. O escritório de arquitetura METRO Arquitetos Associados assina a expografia da mostra.
 

O bronze é nobre, monumental, de grande força histórica e requer muita habilidade para ser bem trabalhado. Apesar disso, o material desafiador é utilizado por um jovem artista brasileiro em ascensão. A arte de Flávio Cerqueira transforma o bronze bruto em seis esculturas inéditas, apresentadas em sua exposição Se Precisar, Conto Outra Vez, na Casa Triângulo.

Nela, Cerqueira coloca como tema central o olhar eurocentrista da História brasileira, em sua ausência de representação das culturas ancestrais. Como o artista explica em entrevista à seLecT, a mostra “sugere a criação de uma nova narrativa para a história de nosso país”.

Segundo Cerqueira, seu trabalho como um todo parte de suas experiências pessoais e inquietações. Porém, essa mostra foca na existência de várias versões sobre a História do Brasil e nos mitos, heróis e mudanças de papéis. “Vejo que devemos reconsiderar alguns termos que são usados para contar nossa história’’, reflete o artista paulistano.

“Cada trabalho dentro da exposição atua como pequenos contos que se relacionam no percurso”, explica Cerqueira. Além disso, os títulos das obras, assim como o da mostra, partem do discurso coloquial e conversam com o espetador diretamente. A peça Eu te Disse…, por exemplo, adverte sobre a avalanche de informações presente no mundo moderno.

Amnésia é uma escultura que exemplifica o branqueamento das memórias brasileiras ao mostrar um menino negro jogando em sua própria cabeça uma lata de tinta branca.




Em cada obra está um relato sobre a mesma e seu autor, isso é muito bacana porque nos situa sobre a época. Nesta obra temos o jovem Francis Barber (1742-1801) Nascido  como escravizado na Jamaica, porém liberto por seu senhor Samuel Johnson que o teria nomeado como seu herdeiro.




Artista: Albert Eckhout 
Título: Mulher Africana (Negra) 
Técnica: Óleo sobre tela 
Ano: 1641 

A Negra ou A Mulher Negra, é uma pintura de autoria de Albert Eckhout, produzida em 1641 no período de sua estadia no Brasil a serviço de Maurício de Nassau (1641- 1644), governador do Brasil holandês que posteriormente doou a tela ao Rei Frederico III da Dinamarca em 1654. Atualmente, a pintura pertencente ao acervo do Museu Nacional da Dinamarca em Copenhague. Ela faz parte de um conjunto de oito obras que representam as faces documentais e etnográficas da pintura de Eckhout. As telas, Homem Negro (1641), Mulher Negra (1641), Homem Mulato, Mulher Mameluca (1641), Homem Tapuia (1643), Mulher Tapuia (1641), Homem Tupi (1643) e Mulher Tupi (1641), revelam o mapeamento do pintor sobre as tipologias étnicas, botânicas e geográficas, na medida em que esses três repertórios são abarcados nessas representações.

Há muitas discussões em torno do local de confecção dessa tela, cogita-se que o pintor possa tê-la produzido em uma de suas expedições a Gana (1637) e a Angola (1641), no entanto, ao atentarmos para complexidade dos componentes da obra é possível observar que essa entrelaça os estudos feitos nessas viagens aos realizados em território brasileiro, ou seja, a representação feita por Eckhout extrapola a dimensão documental, e realística, e assume uma complexidade narrativa que entrelaça os estudos etnográficos feitos do Novo Mundo ao imaginário europeu. Ainda no que toca a discussão em torno da produção dessa tela em território brasileiro, no documento de doação da coleção etnográfica de Eckhout ao Rei Frederik III, Maurício de Nassau certifica a confecção dessas obras no Brasil

A mulher é representada de forma clássica, seu corpo é marcado pelo detalhamento dos músculos tensionados, e sua posição imponente, são elementos que além dos adornos, como o conjunto de colar e brincos de pérolas, reiteram o tom europeu dado por Eckhout a essa pintura. O colar de pérola, a bijuteria, a pulseira de ouro, o cachimbo na cintura, e o chapéu em formato cônico, formado por penas de pavão, são objetos que levam o observador a inferir que essa mulher não é escrava, no entanto, o fato dela e da criança estarem descalços denota essa condição, gerando uma antítese que aponta para o caráter irreal e alegórico desse personagem, em que não é possível distinguir seu status social. Além dos adereços, a mulher segura uma cesta com frutas tropicais, na altura de sua cabeça, que remete através dos adornos geométricos a uma cerâmica indígena.


A artista Loïs Mailou Jonespega referências egípcias para compor Egyptian Heritage (Legado Egípcio), uma tela forte que coloca Cleópatra e outras duas mulheres negras na posição central, sendo que uma delas pode ser a própria artista, que olha diretamente para o espectador. É também uma maneira de lembrar que os povos egípcios foram igualmente embranqueados por livros, filmes e demais representações.
Li que Loïs Mailou Jones,uma mulher negra e empoderada, foi muito mais que pintora, foi professora, ilustradora de livros e designer de estampas. Nascida em Boston, Massachusetts, em 1905, cursou aulas de desenho na Boston Museum School of Fine Arts durante seis anos até 1927, quando se formou e ganhou também o diploma de professora. Sua trajetória também passou pela Escola de Design de Boston e pelas célebres Harvard University e Columbia University.


Esta foi somente uma parte da visita ao MASP e aí gostaram? Quando tiverem um oportunidade vá visitar o MASP e outros museus aqui de São Paulo, para mim cada visita é uma aventura cheia de novas descobertas e reflexões.

Beijos
Tânia Bueno












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12 comentários:

  1. Ah, pena que eu more tão longe do Museu de Arte de São Paulo... Pelos seus comentários o passeio deve ter sido muito interessante e divertido, e concordo com você sobre o valor da entrada, é bastante acessível...
    Abraços, amei a coluna DESCOBERTAS E AVENTURAS!

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  2. Oi! Que exposição rica! E necessária! Parece que a cultura negra é muito pouco vista, e uma ala assim, onde é mostrada sobre vários aspectos é tão bonito! E triste, porque em sua maioria é sobre a escravidão também! Mas observando a arte, dá pra se encantar vendo telas tão lindas, e essa escultura feita de bronze, que o menino parece querer se pintar de branco, mais uma tristeza.. Enfim, agradeço as fotos e um pouquinho do que trouxe, tenho fé que um dia visito o MASP! Obrigada!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  3. Oi Tania, simplesmente amei o seu post. Meus filhos e eu gostamos de vários passeios culturais e faz um bom tempo que não saímos com esse propósito nós três.
    Achei muito interessante as fotos que colocou e as explicações sobre a exposição que tem no local.
    Não conheço muito da Histórias afro-atlânticas e fiquei muito contente em através da sua experiência conhecer algo sobre..

    Obrigada e traga mais posts como estes.
    Beijos

    www.alempaginas.coom

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  4. Olá Tânia, tudo bem?
    Embora eu seja do Pará, amo São Paulo, e quando tenho oportunidade sempre vou ao MASP, é tão inspirador ver as obras expostas, ver o talento e a criatividade dos artistas. Adorei o tema da exposição, porque o povo afro sofreu bastante no periogo de chegada. As esculturas são perfeitas, é o quadro da Mailou, ficou incrível, eu adoro história egípcia.. parabéns, adorei poder visitar junto com você a expisexpo.
    Bjs
    Sue *https://culturapocket.blogspot.com/*

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  5. eu amo o MASP e sempre que posso estou por lá para apreciar as exposições. Esta eu ainda não consegui conferir de perto, mas tenho acompanhado fotos nas redes sociais e textos sobre. Inclusive, a obra A mulher negra" já foi tema de um trabalho que precisei fazer há alguns anos atrás.
    Amei ler a sua experiência até o museu <3 Quero mais posts assim

    Sai da Minha Lente

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  6. oi Tania.

    Realmente é uma novidade, porque eu não sabia dessa exposição e pela sua postagem mostra como ela é uma riqueza impressionante. Foquei com muita vontade de visitá-la.Tomara que ela venha aqui em Minas porque assim posso tentar visitá-la. Parabéns pela postagem. Eu amei!

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  7. Oi Tânia tudo bem? Que riqueza de fotos e de história você nos trouxe, sendo sincera não sabia desse acervo lindo que tem no Masp, são informações muito importantes para nós, saber um pouco mais da história Brasileira. E vale a pena ressaltar que tem dias com entrada gratuita para quem quiser ir visitar. Parabéns pelo seu post vou repassa-lo para algumas amigas que assim como eu são doidas por informação, bjs!

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  8. Oi Tânia, que post mais agregador, cheio de história boa! Eu queria muito ter ido ao MASP quando fui pra Bienal, mas infelizmente não deu tempo, essa exposição em especial me enche os olhos porque ela é extremamente representativa e real. Muito bacana da sua parte fazer um post dedicado a ela.

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  9. quero muito fazer um tour em SP
    sem duvida tem muito o que aprender ali, e tenho muita vontade de conhecer o masp
    pretendo ir ano que vem

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  10. Oiiii Tânia

    Essa apresentação completa sobre a obra e tb seu autor é muito bacana, porque a gente não vê simplesmente o trabalho exposto, mas tb aprende mais sobre aquele artista, sobre o contexto que ele vivia quando fez aquele trabalho, muito legal.
    Nunca visitei o Museu de SP, é longe pra mim, muitooooo longe, mas quem vive por aí em SP deveria conferir e aproveitar essa e tantas outras opções legais que a cidade oferece. Ah eu queria tanto visitar o Museu do Ipiranga, la do Imperador, dizem que é bem legal tb. Enfim, adorei essa coluna, conhecer um pouco mais dos eventos culturais da sua cidade.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  11. Olá, tudo bem? Que show essa nova coluna, já estou amando. Não sabia desta exposição ainda, mas pelo o que tu disse e pelas fotos parece ser absolutamente incrível e super acrescentadora. Adorei a postagem!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  12. Oi Tânia, tudo bem? Eu amei conhecer um pouco mais sobre o seu passeio ao MASP principalmente, porque eu amo ficar olhando fotos de museus, objeto antigos, etc. Infelizmente, eu nunca tive oportunidade de visitar um museu, fico muito triste por isso, mas pretendo mudar essa situação em breve. Eu não sou contra pagar entrada para visitar o museu, até acho que é muito valido porque lá, estão guardadas informações importantes sobre a nossa cultura que precisam ser preservadas, para isso precisa-se de dinheiro.

    Eu adorei a sua visita, fiquei muito triste por não morar próximo de SP para conseguir fazer uma visita mas, todas as informações que você deu foram muito importantes para mim, gostaria muito que aqui em MT tivesse um museu voltado para a cultura e histórias afro-atlânticas.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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