A Mandona e a Vênus - Catarina Muniz

11 julho 2019

Resenha por: Tânia Bueno
Título: A Madona e a Vênus
Autor(a): Catarina Muniz
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Romance histórico
Páginas: : 304
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Avaliação:



SINOPSE: 1481, Florença, Itália. A cidade mais fremente do mundo, berço dos maiores pintores, arquitetos e escultores de toda a História, é o cenário de um intrincado triângulo amoroso entre a camponesa Francesca di Boscoli, a duquesa de Milão, Alessia Sforza, e o aspirante a pintor Vincenzo Mantovani. Francesca busca apenas paz em sua vida, já tão carregada de cicatrizes. Vincenzo espera ser reconhecido como um dos maiores artistas de seu tempo. E Alessia, a bela mecenas, busca impor sua vontade, custe o que custar! O Renascimento Cultural italiano é o pano de fundo deste romance que promete trazer ao leitor fortes emoções. Benvenuti!

Comecei a ler e não larguei quando vi já estava na página 166 e como se não bastasse, tive uma experiência no mínimo inusitada, fui dormir e tive a sensação de estar conectada ao livro a noite inteira, levantei algumas vezes para ir ao banheiro e parecia que eu acabara de sonhar, voltava a dormir e continuava conectada de alguma forma, não sei explicar. Francesca e Vincenzo me enfeitiçaram? Itália um dos lugares que quero conhecer, mas especificamente Florença me enfeitiçou ou a linda e admirada Bruxa da escrita Catarina Muniz fez tudo isso em mim com sua criação e magia literária? Vai saber!!! (hahaha)

Como você pode perceber já de cara o livro está mais que indicado, é meu favorito, amorzinho mesmo.


“Florença era uma cidade que vibrava, que respirava arte e política. Sempre havia algo sendo construído, um monumento sendo erguido, um afresco sendo pintado, uma descoberta sendo feita. Sempre havia um arquiteto desafiando as leis da física, um inventos avaliando um pergaminho enquanto observava os céus.”  Pag.114

Entramos na trama na pacata San Gimignano na região da Toscana e lá conhecemos os sonhos da camponesa Francesca, mora com o pai viúvo e três irmãos mais velhos, noiva e apaixonada está prestes a casar, mas o idiota do rapaz comete um ato impensado, embora nada tenha, acontecido após serem surpreendidos pelo pai da moça, está é expulsa de casa após uma violenta surra. Vai à casa do noivo onde é humilhada pela família e ele covardemente paga de inocente deixando-a a mercê da própria sorte ou inicio de um verdadeiro calvário.  Arruma carona com uma caravana de mercadores e vai parar em Florença capital da Toscana, apenas com a roupa do corpo passa muitos perrengues, frio, fome rejeição. Sem conseguir nenhum teto acaba por ser aceita em uma taverna onde faz de tudo: cozinha, limpa, serve os clientes quando necessário e tudo isso em troca de dormir no chão e de apenas alguns restos de comida. Já pensou você cozinhar e não poder nem experimentar o tempero do que faz? Trabalho escravo mesmo.

“Lembrou-se de que sai mãe sempre aconselhava seu pai e irmãos a serem gratos por tudo, mesmo pelas coisas ruins, afinal, nunca se sabia quando podiam piorar.” Pag. 42

Na taverna o pintor que quer vencer pelo seu talento Vicenzo Mantovani se encanta com a moça e a convida para conhecer seu ateliê, quando é visitado propõe que Francesca seja sua modelo, mesmo garantindo que será paga e que ele não se aproveitará dela, ela não se sente segura e volta para a rotina escravagista da taverna, mas depois de ser expulsa da taverna pelos donos por um motivo absolutamente sem noção, a moça está de volta às ruas e quando já está perto da inanição procura o ateliê, desmaia na porta e é amparada pelo lindo Vicenzo que juntamente com a senhora que cuida da casa trata de Francesca. Mas será que ele conseguirá ficar distante dessa camponesa enigmática e mágica? Conseguirá Francesca se manter casta diante da tentação que é Vicenzo Mantovani e principalmente depois de observar uma cena que a fez entrar em contato com outra realidade? 

Este quote é de encher de aquecer a alma e o coração, seja pela poesia ou pela sensibilidade da descrição tocante e verdadeira.
“Um artista necessita ter a sensibilidade de desvendar mesmo aquilo que ele ignora. Saber enxergar além da íris de cada olhar. Saber ouvir o que o outro não diz. Conseguir ler o que nem sequer foi escrito. Todo artista é na verdade um explorador. Um pioneiro, um desbravador! Alguém que se atreve a ir até os confins da própria alma. Um artista nunca teme respostas. É um devotado ouvinte do inaudível e um observador do invisível.” Pag. 63

Com o surgimento de uma mulher poderosa da sociedade e que tem por hábito conseguir tudo que deseja e a qualquer preço, muita coisa vai acontecer... Já aviso que se “pensas” em triângulo amoroso, não acontece como você talvez esteja imaginando, pois a maldade e manipulação de algumas criaturas não conhecem limites.

Bom, minha gente é melhor eu parar por aqui para não soltar a língua... Posso garantir que a trama é de tirar o fôlego, envolvente, cativante e que nos transporta para a Itália de 1.481 com seu renascentismo. É perceptível a dedicação da Catarina Muniz na pesquisa realizada, ela nos presenteia com cenários belíssimos, com a arte da época seja nas pinceladas dos mais belos quadros ou nas esculturas espalhadas, é realmente lindo e impressionante.

Assim, temos uma mulher que frágil se descobre guerreira, que se transforma e se reinventa, que renasce das quase mortes e cada vez mais fênix, que descrente de tudo se renova. Temos um homem sensível desde criança, com incrível habilidade de desenhar e pintar tudo que achava pela frente, ele que inesperadamente descobre o sentimento mais sublime do mundo — o amor, descobre que foi traído pelo próprio pai e, olha que o que este fez foi de um horror absurdo e tudo pelos “negócios”, até onde vai a ganância e egoísmo de alguns pseudohumanos? 

Mas, apesar de tudo isso, é lindo como vivemos a dor da separação e sim eu chorei por Vicenzo, chorei pela bela Francesca... chorei. Mas, me fortaleci com a importância de se ter amigos de verdade, amigos que são mais que irmãos, pessoas que estendem a mão e ficam ao seu lado independente de qualquer coisa. A esperança se renova com a mão estendida de pessoas até estranhas e que têm como missão fazer desse, um mundo melhor. 

Ah! Catarina Muniz você me fez viver várias emoções e apesar das lágrimas, foi maravilhoso o tempo em que tive como companhia A Madona e a Vênus.

Alguns quotes que falaram comigo.

Sobre julgamentos: Melhor não temê-los.
“Eles existirão sempre, não importa o que realizes ou deixes de realizar. Não é mais importante tua alegria e bem-estar?” pag. 124
“Porque, não importa o que façamos, não há como fugir de nossa essência, daquilo que faz de nós o que somos. Pinto porque não vejo em meus horizontes nenhum caminho além deste, entre tintas e cores e formas e luzes... Pinto, porque a pintura escolheu a mim.” pag. 136
“Até a maior das alegrias é incompleta se não dividida com a pessoa amada.” Pag. 228
“Não curamos as dores da alma simplesmente calando-as em nosso coração. Não é assim que funciona. Às vezes, é necessário que aceitemos nossas feridas para que só então elas cicatrizem.” P. 285

Enfim, livro maravilhoso! Leia e me conte.

Beijos
Tânia Bueno



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7 comentários:

  1. Como ameeeeeei essa resenha!! Obrigada Tania, pela leitura e pelas palavras carinhosas. ❤❤❤

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  2. Olá!
    Adorei seu post, ainda não conhecia a obra mas a capa me chamou muita atenção.
    Adorei os quotes que você trouxe!
    Fico feliz em saber que essa obra despertou em você tantos sentimentos bons, é fascinante quando um livro faz isso com a gente.
    Vou anotar sua dica, beijos!

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  3. Olá percebo que a leitura possui diversos ensinamentos positivos, não conhecia o livro mais fiquei imensamente feliz em ler sua resenha, espero ter a oportunidade de ler em breve!

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  4. Eu adoro romances históricos (mas não gosto de romance de época) e fiquei bem interessada na premissa desse livro, e só de saber que você não sentiu que tava lendo, nossa! Preciso de uma leitura assim, que a gente nem vê que tá lendo! Adorei a resenha e já anotei a dica aqui! ❤️

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  5. Olá, tudo bem? Não conhecia esse livro ainda, mas depois de ler tua resenha foi impossível não ficar curiosa para ler. Adorei a dica!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  6. É tão bom quando a leitura prende a nossa atenção a ponto de nem sentir as páginas passarem hahahaha. Gostei da sua resenha, deu pra sentir que vc realmente gostou <3

    Sai da Minha Lente

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  7. 'fui dormir e tive a sensação de estar conectada ao livro a noite inteira' já aconteceu comigo e tipo, é uma experiência muito forte, fiquei emocionalmente ligada ao livro quando aconteceu comigo. Achei sua resenha visceral e isso me deu vontade de conhecer melhor a obra.

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