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A BRUXA E O CAVALEIRO

15 janeiro 2014

A Bruxa e o Cavaleiro
Tânia Gori
Editora Alfabeto
110 páginas

Sinopse: A história “A Bruxa e o Cavaleiro” se passa em três flashes de lembranças. Recordações de vidas e épocas que marcaram a essência de duas almas, dois seres. São fragmentos de memória trazendo um ensinamento sutil de magia, e marcando a vida de cada leitor com a esperança do reencontro de um grande e verdadeiro amor.

Incrível como em apenas 110 páginas Tânia Gori propicia ao leitor uma viagem a épocas antigas em que a magia imperava, se curava com ervas, a presença de seres visíveis e invisíveis da floresta, o poder dos quatro elementos do Universo: "fogo ar, terra e água que trazem equilíbrio; tranquilidade em perceber a vida e não apenas deixá-la passar despercebida, evitando descontroles emocionais tão comuns nos dias de hoje." Então, parece que os quatro elementos são importantes para existência da vida dos seres visíveis e invisíveis, ou seja, tudo que existe o é pela combinação e interação destes elementos, se pensarmos na natureza, no homem, enfim no Universo, tudo envolve estes quatro elementos. 

Em a toda existência, ou seria no plural – todas as existências? Temos vidas que partem e que retornam em missões específicas, almas gêmeas que se encontram e se desencontram em decorrência de escolhas não adequadas, ciclos que se cumprem e renascem em outras épocas para dar seguimento à magia, vidas entrelaçadas através do tempo e do espaço alinhavadas e costuradas em uma trama bem elaborada.

Nestas poucas páginas somos convidados a transitar por diversos cenários históricos da Idade Média, Feudalismo, de 1429 até 1808 com Napoleão e a guerra entre França e Espanha até chegar a algum lugar de 2004 com pessoas com memórias passadas que finalmente se reencontram porque assim teria que ser.

Temos nossa heroína, bruxa do bem, feiticeira e sacerdotiza Rilay, uma jovem que sempre teve excelente relacionamento com os seres da floresta com os quais aprendia. Na Lua cheia celebrava com eles a vida, a colheita, a saúde e tudo mais. Ela era dona de uma sabedoria sem igual, compreendia todos, dava alento à alma das pessoas angustiadas, curava suas feridas físicas com ervas, cristais, magia e guardava para si memórias de todas as vidas. Rilay tinha resignação para aceitar o que lhe estava reservado, tinha a certeza de que em cada vida reencontraria pessoas que estão destinadas umas para as outras e assim o fluxo seguia, seu único temor era que magia desaparecesse junto com todos os seres visíveis e invisíveis da floresta.

Em um momento de muita ameaça e se preparando para ser alvo de caça às bruxas, as divindades dos quatro elementos concedeu a Rilay bênçãos para seguir com a missão de garantir a manutenção da tradição e os segredos da Mãe Natureza com seus seres e magias, evitando assim que ela desaparecesse na ponta de uma espada e na imposição pela igreja e reis de uma fé específica para todos os aldeões de todos os cantos da terra. Temos as divindades Gob-Terra príncipe do elemento terra, ele é o chefe dos seres que protegem a terra, Gob deu a Rilay força e saúde. Djin – príncipe do elemento fogo deu a Rilay ação e iniciativa, Peralta – príncipe do elemento Ar concede-lhe sabedoria e intuição, Necash – príncipe do elemento água banhou-a com equilíbrio nas emoções e sentimentos. Ela recebeu as energias dos gnomos, silfos, fadas e as salamandras. Querido leitor, pode ter certeza ela realmente precisará de todas essas energias e forças, pois o que a espera na maioria das vidas é demais.

Da época de vida plena e feliz na floresta somos transportados direto para a idade média em que a igreja e o papado dominam tudo por se sentirem ameaçados começam a cristianizar todas as aldeias, assim nascem as cruzadas compostas por príncipes, nobres e cavaleiros que combatem os “hereges”, coloquei entre aspas, pois para mim tudo isto é questionável por acreditar que todas as pessoas, de todo mundo e em qualquer época têm o direito de professar a fé da forma que desejar e que melhor represente suas crenças.

Pois bem, no meio das cruzadas temos um Cavaleiro especial que recebeu o título de duque por sua coragem e lealdade ao rei, este Cavaleiro foi enviado para a especial missão de capturar bruxas, feiticeiros e todos que não se rendessem ao cristianismo, pois afirmavam que quem era contra o cristianismo era devoto do demônio. O Cavaleiro é duro sempre que necessário, mas no fundo, bem lá no fundo mantém uma centelha de algo desconhecido, sensível e que mexe profundamente com ele.

Na primeira noite da missão não consegue dormir e quando está olhando para o céu se surpreende com a presença daquela mulher intrigante que consegue invadir seu pensamento e lê-lo, “mais uma pagã, verbaliza ele.” E aqui temos uma definição muito bacana. Rilay pergunta: “Você sabe o que é ser pagão? Aposto que não. Ser pagão é ter e ser a natureza; amá-la e respeitá-la. Ser pagão é estar em harmonia com as mudanças das estações, celebrar a vida e a alegria”. Ao que ele diz: “Você esquece dos rituais satânicos”. Quer saber a sequência do diálogo? Aha!! Não posso contar. Você terá que ler este livro e descobrir, eu garanto que valerá a pena. O diálogo continua e eles vão se descobrindo. Só mais uma revelação minha... ela soprará nele para que esqueça este primeiro encontro que teve o objetivo de conhece-lo ou seria reconhece-lo? Eis mais uma questão para você, querido Leitor.

O verdadeiro primeiro encontro é lindo e acontece quando ela está se banhando no rio no quarto dia de Lua Cheia. Rilay é das minhas, bastante audaciosa, segura, com discurso direto sem papas na língua. Ela diz ao Cavaleiro que será sua mestre por algum tempo, ele não se contém e dá uma gargalhada desdenhosa. Gente, imagina nesta época uma mulher falar isto para um homem, não um simples homem, mas, um nobre.

Ela faz um trato com ele pede que lhe deixe ensinar o que sabe e depois poderá leva-la para o rei, já que ela é a bruxa que ele procura. Será que ele conseguirá leva-la para o rei se concordar em com ela aprender?

O tempo passa e somente em um antigo cenário medieval, em outra vida, conhecemos o jovem de nome Ricardo, que é o nosso Cavaleiro, agora ele é um jovem ferreiro, atraente que sempre sonha com uma moça na fogueira e quem será ela, meu querido leitor? Nessa vida, nosso antigo cavaleiro já tem concepções diferentes da vida e já tem outra dimensão do que é ser herege e não liga muito para isso, embora não faça nenhuma correlação com vidas passadas, mas deixo com você a missão de descobrir o que acontecerá. Se teremos outras vidas vividas por nossos protagonistas depois dessa época? Sim teremos e muito mais, porém este é o único segredo que conto, todos os outros segredos você descobrirá ao mergulhar nesta obra recheada de energia, vidas, descobertas, muita história, etc.

A autora Tânia Gori nos dá uma deliciosa definição de alma gêmea e esta nem sempre está associada a relacionamento intimo, elas podem se encontrar ou não dependendo das escolhas que cada uma fizer. Para descobrir as outras formas de alma gêmea aconselho o ler esta obra.

E, como bem colocou Tânia Gori no final da trama, após um belíssimo parágrafo que costura tudo: “Qualquer semelhança com a realidade não é mera ficção”, adorei!!!

A narração é em terceira pessoa, a leitura é deliciosa e fluida para quem gosta do tema que envolve bruxa, magia, fantasia; regado a amor, amizade, confiança, escolhas e a firme convicção de que existem encontros que realmente estão e foram escritos nas estrelas.

Com relação à capa, bem, eu não gostei por achar muito infantilizada, além do fato de que, pelo menos para mim, transmite a ideia de uma mulher muito fragilizada com seu ENORRRRME cavaleiro e, decididamente esta não é a Rilay. Mas, se considerarmos apenas as imagens, sim, tem tudo a ver com a trama, porém poderia ser mais elaborada e atraente.

Amei a trama, naveguei por tempos históricos distintos entendendo um pouco mais sobre a fixação das pessoas cassarem aquelas que não comungavam a mesma fé, sendo rotuladas e sentenciadas à dor e a morte. Que coisa, eu hein! Sabe, sou contra qualquer tipo de discriminação, rotulação, generalização, etc. Acredito que as pessoas têm todo o direito de viverem suas vidas sem imposição disso ou daquilo e livre para fazerem suas escolhas.

Acredito na força da amizade, nas transformações que o amor faz; acredito que não estamos aqui por acaso, que sempre temos uma missão e que estamos nesta vida de viagem e depois partimos para outra.

Então, convido vocês a lerem esta obra que gostei muito.

Abaixo estão alguns trechos que em si trouxeram muitos ensinamentos para o meu viver e que presenteio e compartilho com vocês, meus queridos amigos e amigas. Também tem um texto/poesia que encontrei na internet, cujo autor é desconhecido.

“O destino é uma desculpa para aqueles que não têm força para alcançar seus objetivos. Tudo é possível. Nós somos mestres de nossos próprios desejos, crenças e sonhos.”

“Almas gêmeas são partículas de uma mesma célula, possuem muitas coisas em comum e em muitas outras nada em comum, pois é o igual e o oposto se unindo para formar um todo.”

“O Amor é o sentimento que move o mundo e o maior presente que uma pessoa pode dar a outra; através do amor podemos despertar todos os dons mágicos da natureza.”

“O amor o chama através de um olhar, um sussurro do vento, uma lágrima, um mergulhar na alma do outro ser. Quem domina a linguagem do amor nunca está sozinho.”

“Fase minguante; hora de jogar fora coisas ruins, fazer uma limpeza nos pensamentos negativos e nas coisas estranhas, lembranças que não fazem bem.”


“Dentro da bruxaria temos apenas algumas regras básicas que seguimos; a primeira é que a sua liberdade termina no começo da liberdade do outro, ninguém deve invadir a vida das pessoas, pois com certeza ninguém gosta de ter sua vida invadida. Cada pessoa tem o seu livre-arbítrio par fazer o que quiser desde que não prejudique ninguém.”

“Estar em equilíbrio com os seres da natureza visíveis e invisíveis, e procurar a alegria sempre nas pequenas e nas grandes conquistas. Saber que a Lua nos ensina todos os dias a ser felizes e a ter paciência, para esperar o momento certo de cada ato.”

“Se o homem cospe no chão, ele cospe em si mesmo. A Terra não pertence a nós, nós pertencemos à Terra. Todas as coisas estão conectadas como o sangue que une uma família, nós tecemos a teia da vida, nós somos apenas um fio nela. Seja o que for que façamos à teia, nós fazemos para nós mesmos.”

“Nunca se arrependa de nada do que você fez, só devemos nos arrepender das coisas que tivemos vontade de fazer e por medo não fizemos.”

“Às vezes precisamos sentir e viver um obstáculo para crescer.”

Beijos encantados e mágicos!
Tânia Bueno

10 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar dessa autora, mas gostei da ideia central do livro, misturar as cruzadas em um romance lindo entre uma bruxa e um cavaleiro, A ideia de colocar a mocinha sem papas na linguá e direta chamou mais ainda minha atenção.

    http://loucaescrivaninha.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Tânia adorei seu blog, amo lilás :)
    Fiquei curiosa com esse livro. Na verde, eu amo romances, ainda mais quanto tem fantasia envolvida!!
    Ainda não tinha ouvido falar dessa autora. Fui no skoob, e vi que ela tem outros livros nesse tema e fiquei interessada também. :)

    Bjinhos da Sil :*

    http://livrosemimimi.blogspot.com.br/

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  3. Olá Tania!

    Não conhecia o livro, mas achei interessante a história, geralmente em histórias deste tipo a bruxa sempre se dando mal - mesmo se ela for boa ou má - e as princesas ficando por cima e se casando com o príncipe. Nesta percebi que é um cavaleiro e uma bruxa, parece que a história é bem legal. Ah, se essa vida de blogueiro não fosse tão corrida, eu leria este livro, mas quem sabe em um futuro?
    http://momentoliterario1.blogspot.com.br/

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  4. Nossa! Tania Flor! Vc realmente gostou e me contagiou aqui!
    Adoro livro que se passam assim em outra época e ainda de bruxas! Tudo de bom!
    Realmente gostei dessa sua parte: ''O verdadeiro primeiro encontro é lindo e acontece quando ela está se banhando no rio no quarto dia de Lua Cheia. Rilay é das minhas, bastante audaciosa, segura, com discurso direto sem papas na língua. Ela diz ao Cavaleiro que será sua mestre por algum tempo, ele não se contém e dá uma gargalhada desdenhosa. Gente, imagina nesta época uma mulher falar isto para um homem, não um simples homem, mas, um nobre. ''

    E ele é fininho! Quero comprar esse!
    Beijos

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  5. Olá Tania, adorei o blog, lilás é minha cor favorita <3
    Anda não conhecia os trabalhos dessa autora, fiquei interessada, poi adoro romance, ainda mais quando tem fantasia também. Vi os outros livros da autora no skoob e vi que ele tem outro nesse estilo.
    Parabéns pelo blog!!!

    Bjinhos da Sil
    http://livrosemimimi.blogspot.com.br/

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  6. Concordo com você sobre a capa, mas me ficou uma duvida o fato de a historia estar em terceira pessoa não deixou a historia massante? Adorei conhecer uma nova autora e com certeza irei procurar saber mais sobre ela.

    Beijinhos, http://sersonharepensar.blogspot.com.br

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  7. Estou completamente chocada como em 110 páginas a autora consegue abordar várias vidas das personagens... adorei a ideia dos príncipes dos elementos. E fiquei curiosa com essas outras definições de alma gêmea... Ah!! Acho que eu adoraria a Rilay. E também nunca vou entender pessoas caçarem outras que não compartilham da mesma fé, e ao mesmo tempo se dizerem tão boas e superiores. Gosto muito de todos os elementos que fazem parte desta narrativa, acho que gostaria bastante do livro.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  8. Oi,
    Gosto muito de livros nesses estilo, com páginas e com um história que nos encanta, com personagens como Rilay, segura com um discurso direto sem papas na língua e bastante audaciosa. Como você mencionou na sua resenha é quase impossível acredita que uma mulher nessa época era mestre de um homem.
    Adoro história que trazem almas gêmeas, as formas como muitos se encontram, sua resenha me deixou bem curiosa pela leitura.
    Sobre a capa concordo com você, ela ficou infantil, juro que só vendo ela imaginei um história diferente.
    Vou anota a dica aqui na minha listinha.
    Beijos Mari - Stories And Advice

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  9. Realmente, de acordo com o conteúdo que o livro traz e que você nos mostrou através da resenha, a capa está bem para livros infanto-juvenis, não para histórias sobre almas gêmeas e amores que sobrevivem reencarnação após reencarnação.

    Beijo

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  10. Oi Tania

    Adoro livros que contem parte da história medieval, porque esse período é muito rico e mágico.
    Tudo isso aliado a uma linda história de almas gêmeas que vencem o tempo, fica impossível resistir a essa leitura.
    Obrigada por me apresentar esse livro!

    Super bjos
    http://www.i-likemovies.com/

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