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Deuses de dois mundos - Trilogia

13 outubro 2015


Resenha por: Kátia Vieira
Título: Deusesde Dois Mundos - Trilogia
Autor(a): PJ Pereira
Editora:Da Boa Prosa
Gênero:Ficção
Páginas: 834 (os três volumes)
Compre e Compre: Saraiva 
Nota:

Olá Leitores Faces!

Demorei, mas voltei com uma super-resenha. A demora justifica-se, pois não vamos falar de apenas um livro hoje, mas de três – Trilogia Deuses de Dois Mundos.

Antes de iniciar a conversa gostaria de dizer que todos os comentários que vocês fazem são lidos e respondidos por mim, posso demorar um pouquinho, mas respondo tudo. Para nós, resenhistas, é muito importante saber o que vocês estão achando dos textos que publicamos. A ideia não é convencê-los de ler este ou aquele livro, mas apresentar uma apreciação das obras para que vocês possam decidir no que vale a pena investir tempo e dinheiro, de acordo com o gosto de cada um. Por isso, voltem para olhar a resposta, opinem sempre, isso é muito importante para que possamos manter a qualidade do nosso trabalho.

Deuses de Dois Mundos ou carinhosamente chamado por #DDM pelos seus seguidores é um livro que encanta pelos bastidores. Vou explicar por quê. Conheci o livro através do Book Trailler http://www.facesdaleitura.com.br/2015/09/book-trailler-deuses-de-dois-mundos.html lançado à época no programa Navegador da Globo News. Meu marido que é capoeirista e estudioso da cultura africana ficou enlouquecido e assim que o livro saiu nas livrarias compramos. Nunca tinha visto meu marido acabar um livro em menos de dois dias, ele ficou completamente aficionado, não tirava da mão, terminou a leitura chocado e embevecido, eu olhava todo aquele movimento com curiosidade. O mesmo aconteceu com o segundo e o terceiro livro. Ele leu tudo numa velocidade impressionante e terminava arrebatado pelo conteúdo.

Fui criada em colégio de freiras e sempre escutei dentro da minha casa comentários maldosos acerca das religiões de matrizes africanas e seus costumes. Cresci com medo de qualquer coisa que passasse perto disso, mas ao casar com um capoeirista fui conhecendo melhor as lendas e mitos, e o medo foi se diluindo, embora ainda existisse certo “ressabiamento”.  Ressabiamento este que também levou o autor PJ Pereira a conhecer mais sobre o assunto. O livro é a conclusão de 15 anos de pesquisa de PJ sobre o tema. Pesquisa esta que surgiu por conta do preconceito e do medo, mas este processo eu não vou contar é ele mesmo que conta lá no DDM.

Acabei de ler o terceiro volume a pouco e ainda estou impactada com a história, mesmo este terceiro volume não sendo o meu predileto. Foi inevitável os aplausos ao final da leitura e o pensamento de como uma coisa tão incrível pode surgir da imaginação de uma pessoa. Sinceramente, não sei.

A trama se inicia com o silêncio dos búzios. Em uma época distante, na ancestralidade, numa aldeia iorubá o adivinho Orunmilá não consegue mais ler o destino no jogo de búzios. Desde que era jovem e recebeu este dom sobre a leitura do destino respostas nunca haviam lhe faltado. Quando jogava, no Orum (mundo espiritual), os 16 príncipes do destino contavam à Ifá o desenrolar da questão e este repassava a Orunmilá. A partir daí conseguia-se decidir que atitude tomar, qual sacrifício ou oferenda fazer para a resolução. Mas os odus (príncipes do destino) emudeceram para ele e todos os adivinhos.
Descobre-se o porquê do silêncio dos instrumentos, não é defeito, mas sim uma artimanha das poderosas Iá Min Oxorongá, um grupo de feiticeiras que queriam impor suas vontades e tomar os poderes dos orixás.  O jogo é silenciado pois elas fizeram algo com os 16 odus e agora o tempo é o principal adversário de Orunmilá, pois caso demore muito o axé (energia) se esvaecerá e elas, as feiticeiras dominaram o destino dos homens.

O velho babalaô parte com sua filha Oxum numa corrida contra o tempo. Eles precisam saber o que aconteceu com cada odu. Sempre contando com a agilidade e as sapequices de Exu, o menino mensageiro, fiel escudeiro de Orunmilá. A ideia é recrutar guerreiros pelo caminho que possam ajudá-los nesta empreitada. Essa foi a parte do livro mais interessante para mim. Vão chegando de um a um a partir de diferentes situações  os jovens: Ogum, Xangô, Oxóssi,  Iansã, Obá. Cada um destes personagens chega ao livro carregado de simbolismo e beleza. Note que não falamos aqui a palavra orixá, pois eles ainda não o são, esta transformação acontece mais a frente, novamente um a um.

Paralelo a isso, no Aiê (mundo real, Terra) um jornalista chamado Newton Fernandes, mais conhecido como New é recrutado pelo Orum para colaborar na questão do desaparecimento dos odus. Sua vida começa a mudar, ele começa a conseguir fama, ascensão social. Comunica-se virtualmente com alguém para obter instruções do que fazer, primeiro por e-mail, depois por um blog, mas ele não se contém e comete um deslize, fatal para o seu destino e sua história.
O terceiro livro traz a tona a questão do feminino, a provocativa questão do porquê a leitura do destino ser um atributo exclusivo dos homens. PJ levanta a discussão do feminismo e das lutas feministas trazendo esta temática para livro. Por que a maioria das religiões tem seus ritos proferidos por homens?Não seria interessante dividir este poder com as mulheres? A “briga”, então, são das energias masculinas e femininas.

A história desenrola-se em dois mundos, aqui e lá, tudo cheio de simbolismos, significados numa trama incrivelmente bem escrita. E o final,...desculpe, não posso nem pensar em dar pistas a vocês, mas garanto que é surpreendente.

Eu, hoje, interesso-me a ler mais sobre o assunto. O medo e o ressabiamento com as religiões de matriz africana foram embora e no lugar brotou encantamento e respeito. Sou negra e agradeço ao PJ por ter me propiciado uma viagem ao encontro da minha ancestralidade.

Os livros contam com prefácio e posfácio de pessoas como: Reginaldo Prandi (Professor Doutor da Universidade São Paulo – USP, autor de “Mitologia dos Orixás”), Arthur Veríssimo (apresentador do programa “Na Fé”) e Marcelo Tas.  Os direitos já foram vendidos para Hollywood e pode ser que tenhamos novidades cinematográficas em 2017. Não é a toa que #DDM coleciona uma legião de fãs enlouquecidos, se quiser saber mais:


Beijos
Kátia Vieira

10 comentários:

  1. Oiee!!
    Não conhecia a trilogia e achei a temática bem diferente!!
    Fiquei curiosa!!
    Nunca li nada que abordasse a religião africana!!
    Amei as capa, vou dar uma chance com certeza!!
    ótima resenha!!
    Beijos

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    1. Oi Suzi!
      Que legal que você se animou em ler, depois volte para nos contar.
      Existem os Book Traillers do livro 1 e 3, eles estão em postagens mais antigas, se não achar aqui entre na página da trilogia (endereço ao final da resenha) tenho certeza que você vai adorar.
      Obrigada por opinar
      Beijos

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  2. Tania lindona menina que tema interessante abordado nessa trilogia hein, adorei as capas e estou muito curiosa ainda mais com um final surpreendente. Concordo com você a importância da opinião dos leitores. Amei a resenha. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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    1. Olá Joyce!
      Obrigada por sua participação!
      Só uma observação, querida. Quem escreveu esta resenha sou eu Kátia, humilde colaboradora do blog da Taninha.
      Então, menina, o tema é interessante mesmo.
      Caso leia volte para nos contar
      Fico muito feliz que tenha gostado.
      Beijos

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  3. Embora você tenha se encantado, seu marido tenha se encantado, o autor tenha pesquisado tanto para escrever, e os direitos já tenham até sido vendidos para Hollywood, simplesmente não tenho curiosidade de ler. Nunca ouvi comentário de nenhum tipo de pessoas próximas sobre religiões de matrizes africanas, só não é um tema que me atraia mesmo. Que bom que os livros geraram em você esse encantamento e respeito, mas não leria.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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    1. Oi Ju!
      Claro! É sua opinião! O que seria do azul se todos gostassem do vermelho, não é mesmo?
      Quem sabe a próxima resenha lhe agrade.
      Gosta de Chico Buarque?
      Se sim, fique atenta que já, já ele pinta por aqui
      Beijinhos

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  4. Oi... apesar de todos os pontos positivos citados, não tenho interesse na trilogia... até porque a origem africana nunca foi algo que eu busquei... apesar de ter dançado muito em um grupo de dança quando era adolescente, mas meu interesse era só pela dana e ponto... eu acho a dança muito bonita e a batida também, mas os livros não me remetem curiosidade... mas que bom que gostou tanto... é muito bom quando a leitura de um livro nos prende e nos preenche desta forma que aconteceu com vc e seu esposo... Xero!

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    1. Olá Diana!
      Pois é, falou bem, muito bom quando um livro faz esta maravilha conosco.
      Agradeço a sua participação e espero que continue nos acompanhando.
      Beijos

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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