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Conto: "Só queria dizer que te amo" de Séfora Silva

04 novembro 2013

Séfora Silva é uma querida amiga bloguista do http://palavraspequenas.blogspot.com.br e escritora de contos, tenho o prazer de divulgar mais um conto dela, convido você a mergulhar na leitura e peço que deixe um comentário. Bjs

Aquele tinha sido um dia muito cansativo, a empresa estava a todo vapor, e eu estava só o pó, literalmente. E eu ainda precisava pegar metro na praça da Sé, as seis horas da tarde, aquilo era um tremendo caos. Milhares de pessoas se espremendo e empurrando umas as outras. A única coisa que me encorajava a enfrentar aquele caos, era a certeza de que logo eu chegaria em casa.
          No meio de toda aquela multidão, tinha uma mulher, mas não uma qualquer. Ela era uma linda e graciosa mulher, com feições miúdas, olhos castanhos e grandes, lábios pequenos e rosados, seu cabelo era curto na altura do ombro. Ela era incrível.
          Ela acabou sendo empurrada e quase caiu, quando estava prestes a encostar no chão  eu a segurei.
           A correria estava tão grande que no exato momento em que ela falou obrigada, empurram-na para dentro do metro e as portas se fecharam. Ela se foi e eu fiquei. Fiquei olhando aqueles olhos de gratidão se afastar.
          O trem partiu e tudo o que sobrou foi outra multidão pronta para começar a empurrar.
          Quando eu cheguei em casa estava totalmente triturado, amarrotado, quebrado. Mas para vê-la novamente eu enfrentaria tudo aquilo, quantas vezes fosse preciso.
          Fui dormir pensando nela, acordei pensando nela, fui trabalhar pensando nela, e quer saber a parte ruim?
           Fui embora, mas não voltei a vê-la.
          Entristeci-me com esse fato lamentável. Eu só queria saber como ela se chamava,
Queria conhecer um pouco mais sobre aquela mulher que habitava os meus pensamentos e eu não conhecia.
          No dia seguinte ela também não apareceu, fiquei tranquilo, achei que não tinha conseguido vê-la por causa do trabalho ou por causa daquela chatice e estúpida multidão de gente.
          Uma semana.
          Um mês.
          Três meses.
          Era domingo e eu continuava pensando nela. Decidi sair de casa, para ir ao cata-vento fiz todo o longo trajeto, para chegar lá, quando cheguei estava fechado, Até ai, tudo bem eu me conformei, dei meia volta, e retornei ao metro da Praça da Sé.                                                                   
          Para minha alegria, e graças a Deus aquilo estava vazio. Quando cheguei à plataforma do trem percebi que tinha uma mulher bem na minha frente, com fones de ouvido,
          Meu coração disparou ao ver aquela cena, mesmo a mulher estando de costas eu sabia que era ela.
          Fiquei sem reação.
          O trem chegou e ela entrou, eu entrei logo atrás.
          Não deixaria ela ir embora sem saber o nome dela. Não dessa vez.
          Ela sentou ao lado da janela, deixando um banco vago ao seu lado, e foi ali que eu me sentei.
          Não demorou muito até que ela tirou o fone de ouvido, olhou fixamente dentro dos meus olhos e falou:
          -Olá, obrigado por ter me ajudado naquele dia em que eu caí. Ela falou tão segura e desinibidamente, que demora um pouco para responder.
          -Disponha. E, Olá. –ele respondeu, ela balançou a cabeça em um gesto de quem concorda e fez menção de quem estava prestes a colocar o fone novamente eu voltei a falar – Como se chama?
          - Me fala primeiro você? Ela respondeu prontamente.
          -Lucas
          Lucas – ela repetiu
          Agora você vai me falar o seu?
          Vou pensar no seu caso...
Ela respondeu tão graciosamente que ao invés de eu ficar aborrecido fiquei encantado com todo aquele charme que ela jogava, piscando os longos cílios e jogando o cabelo para trás.
O metro continuou andando e nós a papear, sobre tudo.
Eu descobri que ela gostava de livros, musicas antiga e ela descobriu que só gosto de contos , poesias e Rock .
          Quando chegou à estação Arthur Alvim, uma estação antes da minha ela se levantou, para sair do trem.
          -Não vai me falar qual é o seu nome?
          -Talvez. Ela respondeu
          Quando as portas do metro se abriram, eu me levantei para dar um beijo na bochecha dela, acidentalmente ela virou o resto, e acabou que eu lhe dei um selinho. Nós dois piscamos e nos encaramos fixamente.
          -Gabriela. – ela falou sorrindo timidamente, e desceu do trem correndo, antes que as portas fechassem.
          As semanas começaram a se passar rapidamente, porque todos os domingos eu saia de casa para ir à estação de metro Sé no mesmo horário, ela sempre estava lá. Nós sempre nos despedíamos em uma palavra chave. Na ultima vez que eu a vi antes das tragédias terminou assim.
          -Porque você esta aqui sempre no mesmo horário?
          -Por você. – ela respondeu.
Depois disso o trem em que estávamos começou a balançar descontroladamente Nós seguramos nas mãos um do outro, o trem começou a bater na mureta de proteção. Ela começou a se encolher contra o meu corpo e eu tentava acalmá-la.
Pânico total, as pessoas estavam gritando apavoradas. E em meio a todo aquele caos, ela me deu um beijo intenso e cheio de ternura, aquele beijo foi tão profundo que eu cheguei a pensar que ela sabia que algo aconteceria.
 Silencio...
Escuro...
Dor...
Acordei em um leito de hospital gritando por ela.
- Gabriela? Gabriela?
Dois enfermeiros entraram correndo no quarto para me acalmar. Eles começaram a me contar o que havia acontecido.
Contaram-me que o trem tinha descarrilado e virado, disseram que na hora em que começaram a nos resgatar dos escombros eu estava por cima dela, curvado formando uma cúpula para tentar protegê-la. Mas quando começaram a nos resgatar ela começou a gritar descontroladamente pedindo para que tirassem-me primeiro. Os médicos me notificaram que os esforços dela gritando e pedindo para que eu fosse tirado primeiro foi tão grande que acabou piorando o seu estado.
Ela não sobreviveu.
Parte de mim morreu junto com ela.
Desde então, eu sou cinzas, sou dias chuvosos, lagrimas e tristeza, sou céu sem estrela, sou nuvens chorosas.
Desde então eu tenho o peso na consciência de que ela morreu para me salvar, eu carrego a dor de quem se salvou, mas não conseguiu salvar o amor da sua vida.
Desde então eu só queria dizer QUE A AMO.


Séfora Silva

12 comentários:

  1. Parabéns a autora pelo conto. Eu como leitora acho que uma das mais difíceis formas de escrita é conto porque sendo um texto curto, é mais difícil de conquistar ao leitor. Tem que ser arrebatador.
    seguindo o blog.
    Abraços
    Melissa
    De Coisas por Aí

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    1. Oi Melissa, concordo com você a pessoa que escreve contos tem este desafio, precisa ser competente e criativa e a Séfora tem todas estas qualidades. bjs

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  2. Seguindo!!

    http://overdoselite.blogspot.com.br/

    https://www.facebook.com/overdoselite

    Bjus

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  3. Adorei o Post!

    Seguindo e Curtido!
    Retribui?
    http://overdoselite.blogspot.com.br/
    https://www.facebook.com/overdoselite
    Bjus

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    1. Paula, que alegria ter mais uma amiga virtual! Que possamos partilhar muitas conquistas. Curti sua fanpage e estou seguindo seu blog. bjs

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  4. Parabéns pelo Blog tania! Te indiquei a um selo lá no meu blog é só acessar esse link:
    http://booksofseasons.blogspot.com.br/2013/11/the-versatile-blogger-award.html
    Beijos do Books Of Seasons

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    1. Oi Clovis, obrigada pela indicação, pessoas como você são especiais por cuidarem de si e dos outros. Vou seguir as orientações e indicar outros blogs. forte abraço.

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  5. Hey, Tania!

    Ai, que história triste!
    Eles tinham que ficar juntos. :(
    Mesmo assim, gostei do conto.

    Beijo grande e ótima semana!

    www.oblogdasan.com

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    1. Oi Sandra, também gosto de finais felizes, pois no cotidiano se prestarmos atenção tem muita tristeza, mas contos/histórias assim contribuem para que paremos e reflitamos sobre valores e sobre a passagem que também faremos um dia. bjs e obrigada pelo seu comentário.

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  6. Olá! Indiquei o seu blog em uma tag: http://literaturabstrata.blogspot.com.br/2013/11/tag-blog-versatil.html
    Espero que goste, Beijos.

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  7. Ei Tania, muito, muito obrigado mesmo por ter publicado meu conto.
    sucesso.
    beijos!!!
    seforasilva.blogspot.com

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  8. Ei Tania, muito, muito obrigado mesmo por ter publicado meu conto.
    sucesso.
    beijos!!!
    seforasilva.blogspot.com

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