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A menina que fazia nevar

25 julho 2013



A Menina que fazia nevar
Grace McCleen
310 páginas

A MENINA QUE FAZIA NEVAR é um romance contemporâneo infantojuvenil que nos convida a uma releitura de nós mesmos, nossas crenças e valores aliado ao resgate da imaginação e do alerta para que fiquemos mais atentos aos pequeninos milagres que acontecem todos os dias, mas que nem sempre enxergamos por estarmos temporariamente cegos com as questões do dia a dia. É um convite também a renovação pessoal da fé e da esperança de que podemos ser agentes de transformação e fazer a diferença no mundo e na vida das pessoas.


A narração é em primeira pessoa através de Judith McPherson, uma menina de dez anos, inteligente, observadora, criativa e dona de uma fé acima do normal.

Judith mora com o pai que a criou sozinho desde bebê, cresceu cercada apenas pelas pessoas da igreja que frequenta junto com o pai.

John McPherson, pai de Judith é trabalhador, reservado demais às vezes até um pouco rude, teve a vida mudada inteiramente após a morte da esposa Sarah durante o parto de Judith, esta por vezes sente-se culpada pela morte da mãe e fica penalizada com a situação do pai. Judith acha que o pai não a ama pelo fato de não demonstrar nenhum sentimento, pois não olha para ela, não a abraça e não gosta de conversar, ela acha que ele é triste por sua culpa.

Acredito que existem pessoas que realmente não sabem e não conseguem demonstrar o que sentem como o pai de Judith que como toda criança precisa se sentir amada. Este quadro muda um pouco somente quando a nova professora Sra. Pierce assume a sala de aula de Judith. A Sra. Pierce nota o quão hostil são os colegas em relação à menina. A Sra. Pierce enxerga, valoriza e estimula as qualidades de Judith e este fato gerará alguns conflitos em sala de aula e fora dela que afetará muito a vida das pessoas.

Judith mesmo na escola está sempre isolada, pois a outras crianças a submete a brincadeiras desagradáveis, ameaças, acham-na estranha, ou seja, ela é alvo de “bullyng” infelizmente tema tão comum na sociedade atual. Judith procura sempre guardar todos os problemas para si e em determinada situação quando tenta se expor é indagada se conversou com alguém ou  com o professor, diante desta fala ela pensou: “Os adultos acham que você pode falar tudo para o professor. Não veem que só piora as coisas”. Notem como ela se sente sozinha.

O irmão Michaels fez muita diferença na vida de Judith quando conversando com ela deu nome a um grande incomodo causado por uma ameaça feita por um colega de sala, o que você está enfrentando é simplesmente medo. Não que o medo seja simples; o medo é o inimigo mais traiçoeiro de todos. Mas as coisas boas acontecem quando você o enfrenta”. Judith responde: “Não sei como alguma coisa boa pode acontecer por isso” e a resposta que a alentou “É incrível como todos os problemas que a gente achava que não tinham solução desaparecem quando olhamos para as coisas a partir de outro ponto de vista”.

Sozinha e sem ter com quem conversar Judith criou uma maquete a partir de sucatas que ela recolhe por onde anda, esta maquete representa o mundo e ela o batizou de “Terra Gloriosa” que é o lugar para onde todos irão quando o mundo em que vive acabar. Tudo que acontece no seu cotidiano ela transpõe em algo similar na “Terra Gloriosa”, ela dá vida e voz aos personagens. Neste mundo ideal tem o seu pai, sua mãe e ela felizes, pois é este é o desejo mais profundo de Judith, todos se reencontrarão e serão felizes. No seu quarto e com a maquete Judith cria histórias com dramas, dilemas, soluções, interações, vive experiências fantásticas e um milagre acontece a partir da fé que ela tem, tudo em decorrência do medo de ir à escola enfrentar as ameaças feitas por Neil Lewis, um garoto perturbado que a atormenta o tempo inteiro. “Eu sabia que o irmão Michaels tinha falado para eu ter fé em que Deus iria me ajudar, que as coisas que a gente achava que eram impossíveis eram possíveis para Deus.”

Judith nos dá muitas lições: “Eu sei como é a fé. O mundo no meu quarto é feito dela. Com fé bordei as nuvens. Com fé recortei a lua e as estrelas. Com fé colei tudo junto e fiz todas essas coisas cantarolando. Porque a fé é igual à imaginação. Ela vê uma coisa onde não há nada, dá um salto e de repente você está voando”.

“Milagres não têm que ser grandes e podem acontecer nos lugares mais improváveis. Às vezes são tão pequenos que as pessoas nem percebem. Às vezes os milagres são tímidos. Ficam puxando as suas mangas, esperando você percebê-los, e depois somem. Muitas coisas começam bem pequenas. É um jeito bom de começar porque ninguém nota. Você é apenas uma coisinha perambulando, cuidando da própria vida. Aí você cresce”.

Ao descobrir o poder que tem graças a sua fé Judith enfrenta o primeiro conflito precisa guardar segredo, mas precisa contar a alguém e se contar vão achar que ela é louca, seu pai mesmo já disse que ela tem a imaginação fértil demais. Com o poder real o primeiro pensamento é se livrar de tudo que lhe causa sofrimento, mas como tudo na vida existem consequências para todos os atos e responsabilidades a serem assumidas e o que poderia ser a solução começa a acarretar problemas ainda maiores e o que foi feito não tem volta.

Este é um livro que vale a pena ser lido por jovens e adultos, pois como escrevi no início da resenha nos convida a revisitar várias questões dentre as quais destaco a fé, a esperança, a possibilidade de sonhar, acreditar e procurar enxergar os pequenos milagres da vida que acontecem o tempo inteiro.

“Os milagres podem acontecer no céu ou em um campo de batalha ou em uma cozinha no meio da noite. Você não precisa nem acreditar que milagres são possíveis para eles acontecerem, mas você vai saber quando acontecer porque alguma coisa muito simples, que você nunca achou que poderia ser algo, no fim é um montão.”

É isto, boa leitura!



Abraços.

16 comentários:

  1. Quando li o título desse livro não imaginava, que se tratava disso
    tudo. Achei a capa bem linda e combina com o contexto.
    pelo que pode ler de sua resenha, é uma historia muito bonita e forte.
    Se aparecer uma oportunidade irei compra-lo. Adoro livros assim,
    bjs

    http://www.loveebookss.com.br/

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    1. Oi Sol, você sabe que quando comprei também não imaginava que a história era tudo isso. Mas, lendo me encantei. Realmente é uma história bonita e forte. bjs

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  2. Olá, linda resenha.
    O assunto fé é muito importante, vc precisa acreditar em algo. Eu disse algo e não alguém, não importa sua religião.
    Esse não é o estilo que gosto de ler mas achei muito importantes ter lido a resenha para me atualizar no mundo dos livros.

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    1. Oi Dani, concordo com você algo e não necessariamente alguém. Fé é super importante. Você sabe eu não sabia que o livro trazia este conteúdo, mas realmente não me arrependi, creio que nada é por acaso e a história nos fazem ficar alertas para alguns temas como buillyng, fé, milagres (eles estão presentes mesmo que não queiramos acreditar e independente de religião).
      Bjs

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  3. Oi Dani!

    Consegui esse livro em uma troca e pretendo lê-lo em breve, =D

    Bj!

    http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/

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    1. Que legal Gladys, depois me conte o que achou. bjo

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  4. Primeiramente, o nome do livro chama muito atenção, eu me interessei por este livro através do nome, creio que está capa é muito simples, com certeza a capa poderia ser mais atrativa!!! porque para mim, uma das coisas mais importantes, primeiramente é a capa kkk!!!

    Gostei dos seus comentarios e tenho vontade de ler o livro, mesmo não gostando da capa kkk

    Abraços

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    1. Verdade Gustavo, a capa está bem simples, mas acho que quiseram mostrar o quão as coisas simples podem ser grandiosamente significativas. Mas, a capa realmente não atrai.
      Grande abraço

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  5. Oi Flor!
    Adoro livros que levantam temas assim e fazem as pessoas pensar sobre valores!!

    Lindo!

    PS:Resenha: Divergente - Divergente - Livro 1 - Veronica Roth
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2013/12/resenha-divergente-divergente-livro-1.html
    Passa lá e comenta! Retribuo a visita! Beijos

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    1. Oi Paulinha, creio que você gostará. Às vezes ele fica um pouco cansativo, mas logo engata velocidade e seguimos firmes e fortes com a leitura.
      Estou indo agora no seu blog.
      Bjo

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  6. Essa capa é magnifica! Mas eu nunca havia me interessado inteiramente por essa obra. Não antes de ler sua resenha e ver o quanto ele é intenso e o quanto traz lições!

    Beijos,
    Le Lançanova
    Palácio de Livros

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  7. Olá Tânia.
    Infelizmente tenho um pai que nunca demonstrou um sentimento por mim e nunca me disse eu te amo, me identifiquei muito com a personagem. Fique tocada com a resenha!
    Beijinhos
    As Leituras da Mila

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  8. Oi Tania! Quando disse que podemos ser agentes de transformação e mudança na vida das pessoas lembrei na hora da história das estrelas do mar encalhadas na praia. Milhares e milhares, e aquele garotinho as arremessando de volta. As pessoas riam e falavam que era bobagem ele tentar, q eram milhares e ele nunca ia conseguir, nunca vou esquecer desse conto que ouvi quando era pequena, dele dizer que "na vida daquela estrela, ele fez a diferença" eu acredito muito nisso, não tenho braços longos mas ajudo quem posso.
    vi que o livro é mais além dessa ideia, quero conhecer Judith e sua história ♥ mais uma vez, ótima resenha
    Bjus bjus!
    Pan
    http://pansmind.blogspot.com/2013/11/sorteio-de-natal-amazonia-arquivo-das.html

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  9. Oi Tania
    Fiquei bastante impressionada com as resenhas desse livro, todas elogiam bastante o livro, e elogiam bastante o enredo, as reflexões que o livro provoca e a escrita do autor
    É um livro que, com certeza, pretendo ler.
    Beijos e boas leituras.

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  10. Adorei a resenha e a premissa do livro! ANdo muito nessa de livros que nos façam refletir, e me parece que esse se encaixa direitinho! Eu até nao gostava da capa e nunca tinha me interessado em ler a sinopse, mas agora vou ficar de olho!

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  11. Gostei dos temas abordados no livro. É muito legal quando um livro leva a gente à reflexão sobre coisas importantes. Gostaria de ler, vai pra lista de compras do ano que vem... rs...

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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